Os sonhos que são
De um monstro encantado, um sonho que me leve a uma quimera, afugentarei o medo, e o desconhecido tratarei por curioso. Antes de aturdir a dialética dos simbolistas, a melancolia de uma vida passada me levaria ao estado que nem sequer cogitei por puramente não existir.
Onde está? Apenas em excerto textual aqui e ali para o palco de meu inconsciente – repetindo as analogias de um famoso escritor de autoajuda. Com certeza terei isso pela mesma razão de que não posso esconder as nuances do inconsciente. Cedo ou tarde elas sempre virão à tona.
Sobre o diário que guardava, que escondia por questão de privacidade. Quando dei a luz lá estava à mesma quimera reiterando: ‘palavras furadas que roçam um aço maciço’. Longe de decifrar o predicado o que dirá das minhas frustrações concebidas e precedidas em empecilhos que parecem advir uma solução.
Se for a negação, a certeza do obituário parece ser bem servida –, ainda que seja uma saída infrutífera, ao defunto não haverá porque em dizer o contrário.
Desvencilharei essa certeza, pelo menos enquanto não encontro outra neste mundo onde tudo é possível e lícito para os privilegiados.
E de anacronismos diante do que passa o fino cobertor da memória em vidas que se vão aos vinte, trinta, quarenta – ao sabor da teoria do medalhão.
Com vinte e um se conseguir serei um sábio. Com trinta ou quarenta entrarei no seleto grupo dos inteligentes. Fizeram de suas vidas uma causa própria indiferente do que outros pensavam. Foram ali jogos, escola, trabalho, tudo para coadunar a satisfação de sua inebriante vida.