Mãos que expiam
Das mãos que criam, vou ao título, a pensar em sua leveza. Detivera a primazia de tocar os dedos de sua mão. As minha eram sujas, estavam feridas. Apalpar aquelas era tudo. Creio que nem elas seriam tão cortejadas – um objeto virtual que cria em mim seu busto, sua espádua em mármore; talhadas pós dias e dias de trabalhos exaustos que o artista consumiu para perfeição.
E hoje é tão especial. É a soma dos dias perdidos onde a noite observou que a lua já passara a um novo minguante; eram as sombras que vi desaparecer e reaparecer no quarto, no corredor ouvindo seus sussurros.
Jamais foi tão escuro no dia em que as luzes faltaram. Tateava na busca daquela mão segurar-me. Ela existia na fortaleza de meu pensamento, ou na força quando abro os olhos e vejo que foi. Queria nunca mais abri-los.