Deus Inacessível
Inacessível, antônimo de acesso, advérbio que substitui o nome. O mesmo que cria as palavras e suas regras gramaticais. Mas a menção não muda a troca de uma pela outra. Neste caso, o tom é o mesmo.
Para o divino, o inacessível é a morada celeste. Celestial é um substantivo derivado do céu. O céu divino é incessível. No comum, é uma massa de gás, onde os foguetes e asteroides cruzam.
Deus é inacessível?
Diferentes estereótipos consignam-no em algo sempre maior; não se pode ser visto; talvez, sentido em muitos casos. Até passaria despercebido se o litígio impugnado pelos seus adoradores construísse um muro de desavenças e potestades.
Construímos em dialéticas o que pensamos ser dele. Em ritos dogmáticos, hirsutos homens lembram que eles são seus adoradores de maior grau, recebem um nome especial para isso, intitulam-se sacerdotes.
Dificultando-o a aproximação, as armadilhas são inevitáveis e vem com força da repetição. Por milênios esse tem sido o trato. E há punição para quem os transgredi não ao homem que manipula sua imagem e sim a Deus. Está escrito o “salário do pecado é a morte” que pode ser traduzido como uma ida sem volta ao inferno, o lugar maligno que é o oposto do céu. Essa dualidade é muito presente no universo. Quiçá as interpretações colidem em face de sua permanência. A antítese de Cristo é o anticristo em corpo, ou em verbo, que veio a terra como homem. Enquanto um oferece o reino celestial, o outro oferece o reino dos homens de prosperidade e materialidade. Um dá a salvação divina, o outro a salvação econômica.
O Deus está acima disso. É tríade quanto à essência: onipotente, onipresente e onisciente; à forma: Deus, Jesus e o Espírito Santo; e quanto à matéria: corpo, alma e espírito. Com tantas atribuições é de admirar que haja discórdia, todavia, é bem que se diga: muitas das barreiras criadas já foram derrubadas.
Se o homem esta mais perto de Deus por uma falta de ter sido criado, a semelhança de sua imagem e seu comprometimento a adoração a algo sempre maior que ele condiciona-o a estar numa eterna reflexão ética e metafísica de seu ser apaixonado pelo desconhecido.