Alguma vez
Deve ter sido para uma encarnação de algum sonho se é que é possível. Em uma manhã ao levantar da cama imaginei:
Pulo da cama e levanto meus braços, estico-os até não poder mais. E de repente, eles criam asas como que brotassem do cotovelo, das mãos e tudo mais. Transformo-me num pássaro e que decola entre os céus para um mergulho rasante no infinito horizonte.
Essa jornada é contada em pedaços de filmes que aqui e ali esvanecem numa busca de tudo, da aventura, da tragédia, do drama.
Buscarei uma criança, seus sonhos em um país avassaladoramente desigual, onde uma multidão de outras crianças morre de fome, de livros e de família. Em minha terra onde crescem as marcas em brasa de verdadeiras empresas estrangeiras que guiam o entretenimento e a política dessa colônia, que se não parece tem a mentalidade de seus dirigentes.
Estou em uma igreja, minhas asas cerraram. Subo a escada adentrando o coreto vendo de lá o púlpito e nave. Subo a cerca e em pé deparo-me com o sol escancaradamente onipotente dominando as paredes e as janelas internas. Penso numa Disneylândia, aquela citada no cinema por um ou outro tipo: “um dia eu vou lá”! “Vamos a Disneylândia Vermelhinho”! Por acreditar numa propaganda a vejo assim como um lugar mágico onde "sol brilha mais forte", afinal não serei eu a ir além dos fogos de artifício e um incrível castelo germânico apoiado nas margem de um rio.
Pulo dali; vou tentar outros ares mais celestiais. Uma nuvem perdida que finjo encontrar nas páginas de um livro mostrando uma fotografia de um menino nu abrindo os braços como que voando pelo céu infinito. – Uma imagem trespassada de um cheiro da infância entre exercícios gramaticais e férias escolares.
Mas ainda penso, busco fantasias alegóricas de um espaço além do planeta. A de um telespectador de uma explosão de uma estrela – uma supernova. Ou uma viagem por uma nebulosa – o lugar onde nascem as estrelas. Tudo isso é muito fantástico, demais para quem apenas trás a intensidade por algumas míseras fotos que encontrou em um livro de ciências. Vou buscar outra dimensão!