HORÁRIOS
Do dia que passa o tempo forte, engano o presente real; de alguma forma os segundos não representam mais números, mais os compassos de uma ação corriqueira.
Às 16h15min de um domingo de outubro olho pela porta da cozinha a pequena janela ao fundo de casa.
É estreito por compor sua vidraçaria, ou o contrário. Entre os detalhes do vidro a fina mancha entalhada abre a curiosidade do passarinho que a bica a toda pressa.
Entre o tempo da ave e da câmera à janela de outra dá a vez enquanto as tecla de um piano batem harmoniosamente ao som do passarinho e sibilante vento que farfalha as árvores.
Uma torre de concreto: quatro pilares e uma laje; e uma caixa de zinco cheia de ranhuras e imperfeições provocadas pelo tempo, visível entre uma mancha e outra uma tinta que aos pouco vai sumindo em que é possível ver: BRASILIT.
Não é por necessidade que afinco à hora, mas faço por agrado, são 15:00hs exatos do primeiro ano do segundo decênio do século XXI. Parece mais uma semântica bíblica que por fim corro o risco.
Agora, quando volto a terminar a descriminação dos horários, quando o passarinho voou e a nuvem acima desfez em fragmentos ali e acolá, avante adentrando a janela, é possível ver altas árvores de copas largas dos mais diversos traçados. Ainda a luz de um fim de trade.